Onde estão os Protestantes?

Os “evangélicos” estão perdendo a referência do que é pecado!

Tudo é relativo, forma de interpretação ou experiências pessoais. A palavra do Senhor é menos importante que a necessidade humana.


2º Timóteo 4:3 e 4

Porque virá tempos em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se as fabulas.

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Como está sua vida de oração?

 

Como está sua vida de oração?Qual é o lugar da oração em sua vida? Que proeminência tem ela em nossas vidas? É uma pergunta que eu dirijo a todos. É necessário que ela atinja tanto o homem que é bem versado nas Escrituras e que tem um bom conhecimento de doutrina e teologia, quanto a qualquer outro. Que lugar a oração ocupa em nossas vidas e quão essencial ela é para nós? Será que temos percebido que sem ela desfalecemos?Nossa condição definitiva como cristãos é testada pelo caráter da nossa vida de oração. Isso é mais importante que o conhecimento e o entendimento. Não pensem que eu estou diminuindo a importância do conhecimento. Tenho passado a maior parte da minha vida tentando mostrar a importância de se ter um bom conhecimento e entendimento da verdade. Isso é de importância vital. Só há uma coisa que é mais importante: a oração. O teste definitivo da minha compreensão do ensino bíblico é a quantidade de tempo que eu gasto em oração. Como a teologia é, no final das contas, conhecimento de Deus, quanto mais teologia eu conheço, mais ela deveria me guiar na busca desse conhecimento. Não se trata de conhecersobre Ele, mas de conhecê-lO. O objetivo inteiro da salvação é me trazer a um conhecimento de Deus. Eu posso aqui falar de uma maneira acadêmica sobre regeneração, mas o que é, afinal, a vida eterna? É que eles possam conhecer a Ti, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste. Se todo o meu conhecimento não me conduz à oração, certamente há algo de errado em algum lugar. Espera-se que ele faça exatamente isso. O valor do conhecimento é que ele me dá uma tal compreensão do valor da oração, que eu passo a dedicar tempo a ela e a me deleitar com ela. Se meu conhecimento não produzir esses resultados em minha vida, há algo de errado e espúrio nele, ou então devo estar lidando com este conhecimento de uma maneira completamente equivocada.
D.M.Lloyd-Jones

Por que é justo que todos sejam culpados em Adão?

O Novo Testamento ensina que o mundo inteiro nasce dentro das consequências de uma natureza decaída por causa do pecado de Adão e Eva. O Novo Testamento repete essa idéia frequentemente — "que pela desobediência de um homem a morte veio ao mundo." Isso tem sido razão de muito protesto teológico. Que tipo de Deus puniria todas as pessoas com as consequências de um pecado individual? De fato, isso parece ser contrário ao que ensina o profeta Ezequiel. Ele advertiu o povo de Israel quando disseram que os pais haviam comido uvas verdes e os dentes dos filhos nasceram embotados.

O profeta diz que Deus trata cada pessoa de acordo com seu próprio pecado. Ele não pune a mim por aquilo que meu pai fez, nem pune meu filho por aquilo que eu fiz, embora as consequências possam atingir até três ou quatro gerações. A mensagem de Ezequiel parece ser que a culpa não é transferida de uma pessoa para outra.

Isso torna a questão muito mais complicada. Em protesto, gostaríamos de dizer: "Nenhuma condenação sem representação." Não gostamos de ser responsabilizados por algo que outra pessoa fez, embora haja ocasiões em nosso sistema de justiça em que reconhecemos um certo grau de culpabilidade por aquilo que outra pessoa faz por razão de uma conspiração criminal.

Por exemplo, posso contratá-lo para matar alguém. Mesmo que eu esteja longe da cena do crime e não puxe o gatilho, ainda posso ser julgado por assassinato em primeiro grau. Sou culpado da intenção e malícia de premeditar aquilo que você executou na realidade.

Você pode argumentar que essa é uma analogia muito pobre sobre a queda porque ninguém contratou Adão para pecar contra Deus em meu nome. Obviamente não fizemos isso. Ele foi designado como representante de toda a raça humana. Novamente, tendemos a achar que isso é difícil de engolir porque não gosto de ser responsabilizado por aquilo que o meu representante faz se não tive a oportunidade de escolher o meu representante.

Certamente, não escolhi Adão para me representar. Essa é uma das razões pelas quais gostamos de ter o direito de eleger nossos representantes no governo: As atitudes que eles tomam na esfera política têm enormes consequências em nossas vidas. Nem todos podemos estar na capital do país promulgando a legislação. Desejamos eleger nossos representantes na esperança de que eles representarão corretamente nossos desejos e nossas vontades.

Não houve nenhuma ocasião na história da humanidade em que você estivesse mais perfeitamente representado do que no Jardim do Éden, porque o seu representante foi escolhido infalivelmente por um Deus onisciente, perfeitamente santo, perfeitamente justo. Portanto, não posso dizer que eu teria agido de maneira diferente de Adão.

Um último ponto: se por princípio objetamos que Deus permite que uma pessoa aja pela outra, isso seria o fim da fé cristã. Toda nossa redenção repousa no mesmo princípio, que através das obras de Cristo nós somos redimidos.                                         

R. C. Sproul

sábado, 27 de agosto de 2011

A Vocação dos Eleitos - Agostinho

 

Fonte: http://www.josemarbessa.com

Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes.

Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou (Sl 53:11) segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, retirou-os do mundo quando ele vivia no mundo, mas já eram eleitos em si mesmos antes da criação do mundo.

Esta é a imutável verdade da predestinação da graça. Pois, o que quis dizer o Apóstolo: Nele ele nos escolheu antes da fundação do mundo?(Ef 1:4). Com efeito, se de fato está escrito que Deus soube de antemão os que haveriam de crer, e não que os haveria de fazer que cressem, o Filho fala contra esta presciência ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi. Isto daria a entender que Deus sabia de antemão que eles o escolheriam para merecerem ser escolhidos por ele.

Conseqüentemente, foram escolhidos antes da criação do mundo mediante a predestinação na qual Deus sabia de antemão todas as suas futuras obras, mas são retirados do mundo com a vocação com que Deus cumpriu o que predestinou. Pois, o que predestinou, também os chamou com a vocação segundo seu desígnio. Chamou os que predestinou e não a outros; predestinou os que chamou, justificou e glorificou (Rm 8:30) e não a outros com a consecução daquele fim que não tem fim.

Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram. Diz o apóstolo Tiago: Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tg 2:5). Portanto, ao escolher, fá-los ricos na fé, assim como herdeiros do Reino. Pois, com razão, se diz que Deus escolheu nos que crêem aquilo pelo qual os escolheu para neles realizá-lo.

Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer? A não ser que se ponham contra a sentença da Verdade e digam que escolheram antes a Cristo aqueles aos quais ele disse: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

John Knox

John Knox (Haddington, East Lothian, 1514 — Edimburgo, 24 de novembro de 1572) foi um religioso reformador escocês que liderou uma reforma religiosa na Escócia segundo a linha calvinista.
Seu lugar e data de nascimento continuam a ser debatidos, sendo Gifford Gate, nas proximidades da cidade de Haddington (20 quilômetros a leste de Edimburgo) o mais provável local.
Seu pai William Knox, de boa família, sem ser especialmente distinta, tinha combatido na Batalha de Flodden e era natural do condado de Haddington. A mãe chamava-se Sinclair.
Recebeu influências de um espírito liberal, no que toca à educação, que animaram a igreja escocêsa mesmo antes da Reforma Religiosa Protestante. Apesar de alguns estudiosos fazerem referência a ele como semi-analfalbeto, Knox prosseguiu os seus estudos na Universidade de Glasgow, onde o nome "John Knox" figura entre os matriculados em 1522 ou em St. Andrews, onde se afirma que tenha sido aluno do celebrado John Major, nativo como Knox da região escocesa de East Lothian, e um dos maiores académicos dos seu tempo. Major esteve em Glasgow em 1522 e em St. Andrews em 1531. Quanto tempo permaneceu na universidade é incerto. Nunca teve aspirações a ser um académico celebrado como seus contemporâneos George Buchanan e Alesius.
Não há sequer provas de que se tenha graduado. Parece ser um facto que dominava o latim e cultivava o estudo, o que está bem atestado com a seu conhecimento dos textos de São Agostinho e de São Jerónimo. Aprendeu grego e hebreu num período posterior, como indicado na sua escrita. Foi ordenado padre antes de 1540, quando seu estatuto de padre foi mencionado pela primeira vez. Até 1543 Knox ainda se mantinha sob o comando de Roma. Até esta altura, no entanto, ele parece ter dado aulas privadas em vez de ter obrigações paroquiais. Na altura em que ele assinou oficialmente como padre, ele já teria estado empregue (um cargo que ocupou por vários anos) como tutor da família de Hugh Douglas em Longniddry, em East Lothian, educando também o filho de um nobre da vizinhança, John Cockburn, de Ormiston. Ambos os nobres tinham, tal como como Knox, já neste tempo uma inclinação positiva em relação às novas doutrinas da igreja. Um documento assinado a 27 de Março desse ano, guardado no castelo de Tyninghame, prova-o.
Conversão ao Protestantismo
Knox professou pela primeira vez a fé protestante em finais de 1545. Antes disso já tinha mostrado sinais de simpatia por essas ideias, sem o ter declarado explicitamente. De acordo com Thomas Guillaume Calderwood, nativo de East Lothian, a Ordem de Blackfriars em 1543, foi a primeira a "dar ao Sr. Knox um cheirinho da verdade". A sua mudança de opinião original tem sido atribuída ao seu estudo de Agostinho e Jerónimo, na sua juventude, como referido.
Na verdade, dos primeiros 30 anos de sua vida pouco se sabe. Muito influenciado por George Wishart, começou a ser seu seguidor em 1546, ano em que Wishart foi queimado como herege. Este erudito foi provavelmente o instrumento imediato da sua conversão pois havia retornado, após um período de expulsão, em 1544, e morreu no cadafalso, vítima última e ilustre do cardeal Beaton. Entre outros lugares onde pregou as doutrinas reformadoras protestantistas, Wishart havia estado em East Lothian em Dezembro de 1545, e aí Knox deve tê-lo conhecido. Pode-se dizer que o entusiasmo quase juvenil de Knox pela doutrina o teria comovido. Knox seguiu-o incansavelmente como guarda-costas, e carregaria uma espada, disposto a usar para defender Wishart dos emissários do cardeal que atentassem contra sua vida. Na noite em que prederam Wishart, Knox foi impedido de partilhar com ele a captividade, e assim, muito provavelmente, o mesmo destino.
A seguinte frase de Wishart a seus amigos é bem conhecida: "Não, regressem para as vossas crianças. Um é suficiente para o sacrifício" ou seja ("Nay, return to your bairns [pupils]. One is sufficient for a sacrifice.")
No ministério de St. Andrews
O perseguidor de Wishart, o cardeal Beaton, foi assassinado naquele mesmo ano e Knox se uniu aos assassinos no castelo de Santo André, mas foi capturado por franceses e forçado a servir em suas naves de galés. Depois de solto, em 1549, viajou para a Inglaterra protestante. Knox foi chamado pela primeira vez ao ministério de St. Andrews, que durante toda a sua vida estaria ligado intimamente à sua carreira. Parece não ter havido qualquer ordenação regular. Obviamente, já tinha sido ordenado padre da Igreja de Roma.
No continente europeu 1554-1559
Ofereceram-lhe o bispado de Rochester mas declinou, sabendo que o reinado de Eduardo VI seria curto, e haveria uma volta inevitável ao catolicismo com Maria, sua irmã e herdeira. Escapou portanto quando ela subiu ao trono como Maria I Tudor. Outros bispos não tiveram a mesma sorte. Depois de viajar para Dieppe e Frankfurt, mudou-se para Genebra. Ali começou sua admiração pela disciplina e pela teologia de João Calvino. Em 1554, em Genebra, aceitou, em acordo com João Calvino, uma posição na Igreja Inglesa de Frankfurt.
Na Escócia
Numa curta viagem à Escócia, em 1555-1556 ajudou a preparar o novo movimento que culminaria na rebelião contra a França e contra Roma. Assim que Elizabeth subiu ao trono inglês, pediu licença para voltar, o que não foi concedido, pois tinha perorado contra todas as mulheres no Governo em seu libelo« First Blast of the Trumpet against the Monstrous Regiment of Women»!
Em 1559 estava de volta, e depois de um sermão que resultou na pilhagem de casas religiosas, atribuiu as desordens à multidão de canalhas, não aos «irmãos». Durante esse ano, entusiasmado, apoiou os «Lords of the Congregation» em sua rebelião contra a Regente Maria de Guise. De agosto de 1559 até morrer, foi o ministro da Alta Igreja de Edimburgo ou Santo Egídio (St. Giles, High Kirk of Edinburgh) tendo importante papel em 1560 na introdução do protestantismo pelo Parlamento reformista. Os manifestos de 1560 têm maior contribuição de Knox do que qualquer outro indivíduo e a Confissão foi muito importante para a nova Igreja em sues declarações sobre a fé. O culto mudou para sempre pela Liturgia de Knox, ou Livro da Ordem Comum (the Book of Common Order) que ordenava serviços religiosos na língua local e colocar a Palavra como ponto central de tudo. Instruções para a comunidade protestante foram dadas no seu Livro de Disciplina (Book of Discipline) que incluía tópicos sobre educação geral, providências para ajudar os pobres, idosos e doentes e mais cooperação entre Igreja e Estado.
1561
Quando a Rainha Maria Stuart retornou à Escócia, teve numerosas entrevistas com ela (apenas registradas por ele) que foram tempestuosas. Knox concordou com o assassinato de Riccio mas quando os assassinos não conseguiram tomar o poder, deixou Edimburgo para Ayrshire e foi passar alguns meses na Inglaterra. Depois que a Rainha foi derrubada, voltou, popular com os regentes do jovem rei Jaime VI, mas os partidários de Maria o obrigaram a retornar a Santo André por algum tempo.
Em sua «History of the Reformation» Knox fornece, historicamente, o sabor de tais tempos, e seus dados biográficos. Era menos sombrio do que é pintado e mais anglófilo, pois sua primeira esposa foi inglesa e seus dois filhos foram enviados à Inglaterra ser ali educados. Exagera sua importância nos acontecimentos da Reforma, pois outras narrações contemporâneas não lhe atribuem grande papel, mas sua «História» é mencionada entre as obras mais importantes sobre a história da Igreja na Escócia.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Knox

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que foi impossível à lei. - João Calvino

- ( Rm 8.3 ) -
O Senhor nos justificou em Cristo, movido por sua soberana misericórdia. Tal coisa é impossível à lei fazer. Todavia, visto que esta cláusula é por demais notável, examinemos cada uma de suas partes.
O apóstolo afirma em termos claros que os nossos pecados foram expiados pela morte de Cristo, visto que era impossível que a lei nos conferisse a justiça. Daqui se infere que muito mais nos é ordenado na lei do que somos capazes de fazer. Se fôssemos capazes de cumprir a lei, não teria sido necessário buscar remédio em outra fonte. Portanto, é simplesmente absurdo medir a força humana pelos preceitos da lei, como se Deus, ao ordenar o que é justo, houvera considerado o caráter e a extensão de nossas faculdades.
No que estava enferma pela carne. Para que ninguém imaginasse que o apóstolo estava sendo irreverente, acusando a lei de enferma, ou restringindo-a às simples observâncias cerimoniais, ele expressamente afirma que esta defecção não era devido a alguma falha na lei, e, sim, às corrupções de nossa carne. E preciso admitir que, se alguém pudesse satisfazer a lei divina em termos absolutos, então o mesmo seria justo diante de Deus. Portanto, o apóstolo não nega que a lei seja suficiente para justificar-nos no que respeita à doutrina, visto que a mesma contém a norma perfeita de justiça. Contudo, visto que nossa carne não atinge essa justiça, todo o poder da lei falha e se desvanece. Por isso não é difícil refutar o erro ou, antes, a ilusão daqueles que imaginam que Paulo está privando somente as cerimônias da virtude de justificar. Porquanto Paulo expressamente põe a culpa em nós mesmos, e declara que ele não encontra falha na própria doutrina da lei.
Além do mais, é preciso que entendamos a enfermidade da lei no sentido em que o apóstolo usualmente toma a palavra, a qual significa não simplesmente uma leve fraqueza, e, sim, impotência. Ele adota este sentido com o fim de enfatizar que não é absolutamente a função da lei conceder justiça. Vemos, pois, que estamos inteiramente excluídos da justiça de Cristo, visto que não pode haver justiça em nós mesmos. Tal conhecimento é especialmente necessário, porque jamais seremos vestidos com a justiça de Cristo, a menos que antes saibamos com certeza que não possuímos em nós qualquer justiça que mereça chamar-se nossa. A palavra carne é sempre usada no mesmo sentido, significando nós próprios. A corrupção, pois, de nossa natureza torna a lei de Deus de nenhuma utilidade para nós. Embora nos mostre o caminho da vida, ela não nos impede de nos precipitarmos de ponta cabeça na morte.
Isso fez Deus enviando seu próprio Filho. Ele agora mostra a maneira como nosso Pai celestial nos restaurou à justiça por intermédio de seu Filho. O Pai condenou o pecado na carne de Cristo, ou seja: ao cancelar o escrito de dívida [Cl 2.14], ele aboliu a culpa que nos mantinha condenados na presença de Deus. A condenação proveniente do pecado nos trouxe para a justiça, porque, visto que nossa culpa foi desfeita, estamos absolvidos, de sorte que Deus nos considera justos. Em primeiro lugar, contudo, Paulo afirma que Cristo foi enviado, a fim de lembrar-nos que a justiça de forma alguma reside em nós, já que devemos buscá-la nele. E em vão que os homens confiam em seus próprios méritos, porquanto são justos somente através do beneplácito de outro, ouse apropriam da justiça procedente da expiação que Cristo efetuou em sua carne. Cristo, diz ele, veio na semelhança de carne pecaminosa. Embora a carne de Cristo fosse incontaminada por qualquer mancha, ela tinha a aparência de pecaminosidade, visto que levava em si o castigo devido aos nossos pecados. Certamente, a morte manifestava, na carne de Cristo, cada partícula de seu poder, como se sua carne se sujeitasse [espontaneamente] à morte. Visto que nosso Sumo Sacerdote tinha que aprender, de experiência própria, o que significa participar da fraqueza [Hb 4.15], aprouve a Cristo carregar nossas enfermidades, a fim de poder inclinar-se para nós com mais compaixão. Neste aspecto, também, transpareceu nele uma certa semelhança [—imago] com a nossa natureza pecaminosa.
Fonte: [O Calvinista]
Via: [ Tome a Sua Cruz e Siga-me ]

sexta-feira, 4 de março de 2011

Paz do Príncipe da Paz

 
Spurgeon
Banco da Fé
15 de setembro


"e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear." Isaías 2:4
Oh, que esses tempos felizes já tivessem chegado! No momento presente, as nações estão fortemente armadas, e inventam armas mais e mais terríveis, como se o principal objetivo do homem só pudesse ser cumprido se destruindo milhares de milhares de seus semelhantes. No entanto, a paz prevalecerá um dia - sim, e prevalecerá de tal maneira que os instrumentos de destruição serão remodelados com outras formas e utilizados para melhores fins e propósitos.
Como acontecerá isso? Pelo comércio? Por meio da civilização? Através da mediação? Não cremos nisso. A experiência passada não nos permite confiar em instrumentos tão débeis. A paz será estabelecida somente pelo reinado do Príncipe da Paz. Ele ensinará o povo pelo Seu Espírito, renovará os corações por Sua graça, e reinará neles pelo Seu poder supremo, e então eles cessarão de ferir e matar. O homem é um monstro uma vez que seu sangue está fervendo, e somente o Senhor Jesus pode converter um leão em cordeiro. Ao converter o coração do homem, suas paixões sedentas de sangue são dominadas. Que cada leitor desse livros de promessas ofereça hoje uma oração especial ao Senhor e Doador de paz, para que prontamente coloque um fim a guerra , e estabeleça a concórdia no mundo inteiro.
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FONTE: Talonário de cheques do Banco da Fé
trad. Projeto Spurgeon

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Senhor destruirá os carros de ferro do pecado

 
Spurgeon
Banco da Fé
16 de dezembro


"porque expulsarás os cananeus, ainda que tenham carros de ferro, ainda que sejam fortes." Josué 17:18
Ter a certeza da vitória é um grande estimulo que nos dá valor e ânimo, pois ai o homem sai confiante para a guerra, e se aventura em lugares nos quais de outra forma teria ficado temeroso de ir. Nossa guerra é contra o mal que está dentro de nós, e ao nosso redor, e temos que estar persuadidos de que somos capazes de obter a vitória, e de que o faremos em nome do Senhor Jesus. Não estamos cavalgando para cairmos, mas sim para triunfar -  e triunfaremos. Deus, em Sua onipotência, exerce Sua graça para a expulsão do mal em toda forma: daqui a certeza do trinfo.
Certos pecados nossos encontram carros de ferro em nossa constituição, em nossos hábitos anteriores, em nossas companhias, e em nossas ocupações. No entanto, temos de vencer-los. São muito fortes, e em comparação a eles nós somos muito frágeis - não obstante, em nome de Deus temos de vencer-los, e o faremos. Se um pecado têm domínio sobre nós, então não somos homens livres do Senhor. O homem que está sujeito por uma só cadeia é todavia um cativo. Não existe tal coisa como ir para o céu se um pecado governa em nosso interior, pois dos santos se diz: "o pecado não se assenhoreará de vós": Vamos, então, matem todo cananeu, e façam pedaços todo carro de ferro! O Deus dos exércitos está conosco, e quem resistirá Seu poder que destrói ao pecado?
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FONTE: Talonário de Cheques do Banco da Fé
trad. Projeto Spurgeon

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Busca pela alegria

Você sabia que Deus nos ordena que sejamos felizes?

“Deleita-te no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração” Salmo 37.4


por John Piper
por John Piper
1) Deus nos criou para sua glória
“Direi ao Norte: Dá; e ao Sul: Não retenhas; trazei meus filhos de longe, e minhas filhas das extremidades da terra; a todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz.” Isaías 43.6-7
Deus nos fez para engrandecer a sua grandeza – da mesma forma como telescópios ampliam as estrelas. Ele nos criou para colocar a sua bondade, sua verdade, beleza, sabedoria e justiça em exposição. A maior demonstração da glória de Deus vem do mais profundo prazer em tudo o que ele é. Isto significa que Deus recebe o louvor e nós ganhamos o prazer. Deus nos criou porque ele é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele.
2) Todo homem deve viver para a glória de Deus
“Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” 1 Coríntios 10.31
Se Deus nos fez para a sua glória, é claro que devemos viver para sua glória. Nosso dever vem do seu desígnio. Portanto, nossa primeira obrigação é mostrar o valor de Deus por estar satisfeito com tudo o que ele é para nós. Esta é a essência de amar a Deus (Mateus 22:37) de confiar nele (1 João 5:3-4) de ser grato a Ele (Salmo 100:2-4). É a raiz de toda verdadeira obediência, especialmente de amar o próximo (Colossenses 1:4-5).
3) Todos nós falhamos em glorificar a Deus como deveríamos
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Romanos 3.23
O que significa ”destituídos da glória de Deus”? Significa que nenhum de nós confiou e estimou a Deus da maneira que deveríamos. Nós não ficamos satisfeitos com a sua grandeza e não andamos em seus caminhos. Temos buscado nossa satisfação em outras coisas, e as tratamos como mais valiosas do que Deus, e isso é a essência da idolatria (Romanos 1:21-23). Desde que o pecado entrou no mundo todos nós temos sido profundamente resistentes a ter Deus como nosso tesouro todo-satisfatório (Efésios 2:3). Isto é uma ofensa terrível contra a grandeza de Deus (Jeremias 2:12-13).
4) Todos nós estamos sujeitos à justa condenação de Deus
“O salário do pecado é a morte…” Romanos 6.23
Todos nós diminuímos a glória de Deus. Como? Por preferir outras coisas acima dele. Por nossa ingratidão, desconfiança e desobediência. Então, Deus é justo em deixar-nos fora do gozo de sua glória para sempre. “Eles vão sofrer o castigo da eterna destruição e exclusão da presença do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:9).
A palavra “inferno” é usada no Novo Testamento doze vezes – onze vezes pelo próprio Jesus. Não é um mito criado por pregadores tristes e irritados. É um aviso solene do Filho de Deus que morreu para livrar os pecadores de sua maldição. Ignorar é um grande risco.
Se a Bíblia parasse aqui na análise da condição humana, estaríamos condenados a um futuro sem esperança. No entanto, ela não pára aqui…
5) Deus enviou seu único filho, Jesus, para oferecer a vida eterna e a alegria
“Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal” 1 Timóteo 1:15
A boa notícia é que Cristo morreu por pecadores como nós. E ele levantou-se fisicamente dos mortos para validar o poder salvífico da sua morte e abrir as portas da vida eterna e da alegria (1 Coríntios 15:20). Isto significa que Deus pode absolver pecadores culpados e continuar sendo justo (Romanos 3:25-26). “Porque Cristo morreu pelos pecados de uma vez por todas, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pedro 3:18). Ir para Deus é onde toda a satisfação profunda e duradoura é encontrada.
6) Os benefícios adquiridos com a morte de Cristo pertencem àqueles que se arrependem e confiam nele
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” Atos 3.19
“Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo” Atos 16.31
“Arrependei-vos” significa passar de todas as promessas enganosas do pecado “Fé” significa estar satisfeito com tudo o que Deus promete ser para nós em Jesus “Aquele que crê em mim”, disse Jesus, “nunca mais terá sede” (João 6 : 35). Nós não merecemos a nossa salvação. Nós não podemos merecê-la (Romanos 4:4-5). É pela graça por meio da fé (Efésios 2:8-9). É um dom gratuito (Romanos 3:24) . Teremos que se estimá-lo acima de todas as coisas (Mateus 13:44). Quando fazemos isso, o alvo de Deus na criação é realizado: Ele é glorificado em nós e estamos satisfeitos nele – para sempre.
Isso faz sentido para você?
Você deseja este tipo de alegria que vem de estar satisfeito com tudo o que Deus é para você em Jesus? Se sim, então Deus está trabalhando em sua vida.
O que você deve fazer?
Fuja das promessas enganosas do pecado. Chame Jesus para te salvar da culpa, punição e do aprisionamento. “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10:13). Comece a depositar sua esperança em tudo o que Deus é para você em Jesus. Quebre o poder das promessas do pecado pela fé na satisfação das promessas de Deus. Comece a ler a Bíblia para encontrar suas grandes e preciosas promessas, que têm poder para te libertar (2 Pedro 1:3-4). Encontre uma igreja que creia na Bíblia e comece a adorar e crescer junto com outras pessoas que estimam Cristo sobre todas as coisas (Filipenses 3:7).
A melhor notícia do mundo é que não existe qualquer conflito necessário entre a nossa felicidade e a santidade de Deus. Estar satisfeito com tudo o que Deus tem para nós em Jesus é engrandecê-lo como um grande Tesouro.
“Você me deu a conhecer o caminho da vida, você vai me encher de alegria em sua presença, com prazeres eternos na sua mão direita”. (Salmo 16:11)
By John Piper. © Desiring God - Texto original
Traduzido por: Gustavo Vilela | iPródigo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Você é Fraco como Paulo ou como Sansão? – C. H. Spurgeon

 
‘Quando sou fraco, então sou forte” – disse o Apóstolo Paulo. Nosso texto não está tão somente inscrito na Bíblia, mas nas vidas dos santos. Embora não sejamos apóstolos e jamais possamos alegar possuir a inspiração de Paulo, é verdade que neste aspecto particular estamos tão instruídos quanto ele, pois temos aprendido por experiência que "quando sou fraco, então sou forte." Esta frase se transformou num provérbio cristão; é um paradoxo que já não deixa perplexo a nenhum filho de Deus; é, ao mesmo tempo, uma advertência e um consolo que exorta aos fortes a considerar a fraqueza do poder, e apresenta ante os fracos o poder da fraqueza.
Fique entendido, desde o início, que NOSSO TEXTO NÃO É CERTO EM TODOS OS SENTIDOS EM QUE PODERIA SER LIDO. Alguns irmãos são fracos enfaticamente e sempre; mas nunca descobri que foram fortes, exceto no sentido de ser teimosos e obstinados. Se a teimosia é poder, são campeões; e se a presunção é força, são gigantes; todavia não são fortes em nenhum outro aspecto.
Muitos são fracos, mas não fortes. Ao nos referirmos a eles, temos de alterar o texto: "Quando são fracos, são a fraqueza mesma." Há um tipo de fraqueza que convém temermos, a qual pode introduzir-se insensivelmente entre nós; no entanto não vem acompanhada de poder, nem de honra, nem de virtude; é um mal, somente um mal, e o é continuamente. É seguida de incapacidade para o serviço nas coisas santas, e de falta de eficácia; e a menos que a graça divina impeça a calamidade, nascerá dela o fracasso do caráter e a derrota na vida. Que nunca cheguemos a conhecer a fraqueza de Sansão após ter revelado o seu segredo e perdido o vigor! Ele não podia dizer: "quando sou fraco, então sou forte", pois ao ouvir: "Sansão, os filisteus vêm sobre ti", já não conseguiu feri-los; não tinha mais força para proteger-se nem guardar os seus olhos e alcançar a própria liberdade. Cego, trabalha penosamente no moinho; o herói de Israel se transformara em escravo dos incircuncisos. Sem dúvida, assim foi, e algo semelhante pode ocorrer conosco. "Exulta, faia, porque o cedro caiu!" Irmãos, é preciso que lutemos contra toda a fraqueza que leve ao pecado, caso que alguma Dalila seja também nossa destruição. Os longos cabelos de Sansão denotavam sua consagração, e se alguma vez chegamos a ser fracos por falta de consagração, esta fraqueza será fatal para o verdadeiro serviço. Se o que tinha "nada em si e tudo em Deus" descer até desejar "algo do eu e algo de Deus", sua condição é deplorável. Depois de haver vivido para ganhar almas, se agora vive para juntar prata e ouro, seu dinheiro perecerá com ele; se o que foi famoso por sua devoção ao Senhor se tornar senhor de si mesmo, será infame; pois estou convicto de que, embora não façamos nada de mal aos olhos dos homens, é grande mal decair de servir a Deus de todo o coração. Isso é o que faz rir aos demônios e aos anjos admirar-se: um homem de Deus vivendo como um homem do mundo! Até mesmo o Senhor se detém a perguntar: "Que fazes aqui, Elias?" Os santos e os zelosos se afligem quando observam um ministro de Cristo ministrado a sua própria ambição. Só somos fortes à proporção que nossa consagração seja perfeita. A menos que vivamos inteiramente para Deus, nossa fortaleza sofrerá grandes perdas, e nossa fraqueza será do tipo que degrada o crente até o ponto de os ímpios perguntarem com desprezo: "Você também é fraco como nós? Ficou semelhante a nós?"
Amigos, há outro sentido em que jamais devemos nos tornar fracos: em nossa comunhão com Deus. Davi descuidou da sua comunhão com Deus, e Satanás o venceu por meio de Batseba; Pedro seguiu a Jesus de longe, e logo negou a seu Senhor. A comunhão com Deus é o braço direito da nossa força, e, se se rompe, somos como água. Sem Deus, nada podemos fazer; e nos arruinamos em proporção ao nosso intento de viver sem Ele. Coisa lastimável que o homem que contemplou o rosto do Forte e se fez poderoso, pudesse esquecer de onde vem sua grande potência e assim ficar enfermo e enfraquecido! O que interrompe suas visitas à sala do banquete da comunhão santificada estará desnutrido e terá de exclamar: "Que fraqueza!" O que não anda com o Amado logo será um Mefibosete nos pés e um Bartimeu nos olhos; tímido no coração e trêmulo nos joelhos. Se somos débeis na comunhão com Deus, nos tornamos fracos em tudo.
Há outro tipo de fraqueza que jamais devemos cultivar, a qual parece estar muito em moda atualmente: a fraqueza da fé. Isso porque quando sou fraco na fé, não sou forte no Senhor. Quando alguém duvida de seu Deus, delibita-se. Alguns julgam as pessoas cheias de incredulidade e desconfiança como possuidores de profunda experiência, porém a incredulidade nunca pode ser considerada como condição à eminência em santidade. A fé é a nossa arma de guerra; ai do guerreiro que a esquece! Portanto, procuremos discernir entre fraqueza e fraqueza; a fraqueza que é sinal de poder e a fraqueza na fé, pois esta é indicação de decadência espiritual.
Oxalá jamais sejamos fracos no amor, e sim, à semelhança de Basílio, possamos nos tornar "colunas de fogo". O amor é o maior poder que o peito humano pode abrigar. Não devo comparar o amor com outras virtudes, de modo a vir depreciar qualquer delas; mas de todas as forças ativas o amor é a mais potente, pois mesmo a fé opera pelo amor. A fé não vence os corações humanos para levá-los a Jesus até que use essa maravilhosa arma, e então amorosamente os conduz a Cristo. Quanto necessitamos de amor intenso, amor que seja pura chama ardente e consumidor! Que tão sagrado fogo arda no íntimo de nosso ser! Que amemos a Deus intensamente e à nossa congregação por amor dEle! Irmãos, sejam fortes nisso. Podem estar certos de que se deixarem de amar à congregação à qual pregam e à verdade que foram ordenados proclamar, o estado da igreja será como um porta-bandeira derrotado.
Desejamos — e com que anelo! — ser libertos de toda fraqueza da vida espiritual. Desejamos deixar para trás a fraqueza natural em nós, como recém-nascidos em Cristo, para que possamos ser jovens fortes; ainda mais, necessitamos ser homens maduros em Cristo Jesus, "fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder". Se somos fracos neste aspecto, em nada seremos fortes. Como ministros, deveríamos cobiçar toda a fortaleza espiritual que Deus está disposto a outorgar. Tomara que o Santo Espírito que habita em nós nada encontre que O impeça ou diminua Suas influências! Oxalá se manifestasse tanto a plenitude da divindade do Espírito bendito em nossos corpos mortais à semelhança de como agiu na segunda pessoa da Trindade no passado! Quisera que nossa natureza, como a sarça de Horebe, ardesse plenamente com a presença de Deus. Não importa que a sarça seja consumida; é bom ser consumido se o Espírito mora em nós e manifesta o Seu poder.
Como vêem, há sentidos em que contradizemos diretamente ao texto, e com isso destruímos seu verdadeiro significado. Se fosse certo que todos os que são fracos são fortes, poderíamos achar diretamente um ministério vigoroso invadindo os hospitais, alistando um exército em nossos manicômios e convocando a todos que têm deficiência mental. Não, não é dado aos tímidos e aos incrédulos, aos néscios e aos frívolos, pretender que sua fraqueza mental, moral e espiritual seja uma plataforma adequada para a revelação do poder divino.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Por que estais dormindo?

Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação. (Lc 22.46)
Quando é que o crente provavelmente está dormindo? Não é quando as suas circunstâncias temporais se mostram prósperas? Quando havia problemas diários que o impulsionavam a buscar o trono da graça, você estava espiritualmente mais alerta do que está agora? Estradas excelentes fazem o motorista dormir. Cristão não dormiu quando os leões estavam no meio do caminho ou quando estava lutando contra o inimigo de sua alma. Mas, depois que subiu metade do caminho do Monte da Dificuldade, encontrou um arbusto agradável sob o qual ele se assentou.
Imediatamente, começou a dormir, incorrendo em grande tristeza e perda. Recordemos a descrição de Bunyan: "Na metade do caminho para o topo, havia uma árvore agradável, plantada pelo Senhor da montanha, para revigoramento dos viajantes cansados. Ali chegou Cristão e sentou-se para descansar. Tirou do peito o seu rolo, lendo-o para seu consolo. Também começou a meditar na capa ou veste que recebera quando estava de pé junto à cruz. Assim, deleitando-se um pouco, finalmente começou a cochilar e caiu em sono profundo, que o deteve naquele lugar quase até ao anoitecer" (Peregrino — John Bunyan).
Em lugares tranqüilos, os homens fecham seus olhos e vagueiam pela utópica Terra do Esquecimento. O falecido Erskine observou com sabedoria: "Eu gosto mais de um diabo que rosna do que de um diabo sonolento". Não existe tentação tão perigosa quanto o não ser tentado. As almas atribuladas não dormem. Depois que entramos na confiança tranqüila e na plena segurança, estamos em perigo de cochilar. Os discípulos dormiram depois que viram Jesus transfigurado no topo do monte. Tenha cuidado, crente: circunstâncias agradáveis são vizinhos achegados das tentações. Seja tão feliz quanto você deseja, mas seja vigilante.
Fonte: [Charles Haddon Spurgeon]

O Senhor habitará conosco

 
Spurgeon
Banco da Fé
18 de setembro

"E de Benjamim disse: O amado do SENHOR habitará seguro com ele; todo o dia o cobrirá; e morará entre os seus ombros. " Deuteronômio 33: 12.

Sim, não há confiança comparável a que provem de morar perto de Deus. O Senhor não poderia encontra um lugar mais firme e seguro para seus amados. Oh Senhor, permita-me morar debaixo de Tua sombra, próximo de Teu lado traspassado! Quero aproximar-me mais e mais a Ti, meu Senhor; e uma vez que esteja especialmente perto de Ti,  quero morara sempre ali.
Que albergue é provisionado pelo Senhor para seu escolhido! Não é um telhado seguro o que lhe cobrirá, nem um bunker anti-bombas; sequer a asa de um anjo, mas sim o próprio Jeová. Nada pode nos causar dano quando estamos protegidos dessa maneira. O Senhor nos concederá esse abrigo durante o dia todo, sem importam qual longo ele seja. Senhor, concede-me morar nesse dia conscientemente debaixo deste dosel* de amor, deste pavilhão de poder soberano
Qual é o significado da terceira frase? Significa que o Senhor, em Seu templo, orará em meio das montanhas de Benjamim, ou que o Senhor quer estar ali onde esteja colocada a carga de Benjamim, ou significa que somos carregados nos ombros do Eterno? Em qualquer caso, o Senhor é a ajuda e a fortaleça de Seus santos. Senhor, que eu goze sempre de Tua ajuda, e então meus braços me bastarão
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(n do t)- dosel é uma espécie de telhado de cama com cortinas: mais visto em casas de ricos e filmes


FONTE: Talonário do Banco da Fé
tradução: Projeto Spurgeon

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A honra de Deus não pode ser maculada

 
Por Martinho Lutero 
Talvez alguém fique preocupado, pensando que é difícil defender a honra de Deus em meio a tudo isso. E talvez diga: "Afinal de contas, Deus condena aqueles que não podem evitar de ser pecaminosos, e que são forçados a per¬manecer dessa maneira porque Ele não os escolheu para a salvação". Como Paulo diz: "...éramos por natureza filhos da ira, como também os demais" (Ef 2.3). 
Porém, você poderá ver essas questões por um outro ângulo. Deus deveria ser reverenciado e respeitado por ser misericordioso para todos quantos Ele justifica e salva, embora sejam totalmente indignos. Sabemos que Deus é divino. Ele também é sábio e justo. A sua justiça não é da mesma categoria que a justiça humana. Ela está acima de nosso poder de apreensão plena, conforme Paulo exclama, em Romanos 11.33: "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!" 
Se concordamos que a natureza, o poder, a sabedoria e o conhecimento de Deus estão muito acima dos nossos, então também deveríamos acreditar que a sua justiça é maior e melhor do que a nossa. Ele nos fez a promessa de que quando chegar a revelar para nós a sua glória, então veremos claramente aquilo no que agora devemos acreditar — que Ele é justo, sempre o foi e sempre o será.
Eis um outro exemplo. Se você usar da razão humana para considerar a maneira como Deus governa os acontecimentos do mundo, será forçado a dizer ou que Deus não existe, ou que Deus é injusto. Os ímpios prosperam e os piedosos sofrem (Jó 12.6 e SI 73.12), e isso parece ser injusto. Por esse motivo, muitos homens negam a existência de Deus e dizem que as coisas acontecem impelidas pelo acaso. A resposta que damos a essa questão é que há uma vida após a vida presente, e que tudo quanto não tiver sido castigado e corrigido nesta vida, será castigado e corrigido na vida futura. 
A vida terrena nada mais é que uma preparação para ou o começo da vida que virá. Esse problema tem sido debatido por toda a História, mas a solução não tem sido encontrada, exceto pela crença no evangelho, conforme ele se acha nas páginas da Bíblia. Três raios de luz brilham sobre essa questão: o raio da natureza, o da graça divina e o da glória celestial. Mediante o raio de luz da natureza, Deus parece ser injusto, porquanto os piedosos sofrem e os ímpios prosperam. O raio de luz da graça divina ajuda-nos a compreender melhor as coisas, embora ainda não explique como Deus pode condenar alguém que, por suas próprias forças, nada pode fazer senão pecar e ser culpado. 
Somente o raio de luz da glória celeste explicará isso plenamente, naquele dia vindouro, quando Deus revelar a Si mesmo como inteiramente justo, embora os seus juízos ultrapassem a nossa limitada compreensão de seres humanos. Um homem piedoso crê que Deus conhece de antemão e preordena todas as coisas, e que nada acontece senão pela sua soberana vontade. Nenhum homem, ou anjo, ou qualquer outra criatura, em vista desses fatos, é dotado de "livre-arbítrio". Satanás é o príncipe deste mundo e conserva cativos a todos os homens, a menos que eles sejam libertos pelo poder do Espírito Santo.
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Fonte: Nascido Escravo, Ed. Fiel, Cap. 1, Argumento 19.
Autor: Martinho Lutero.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Não Seja Inútil na Batalha – Martyn Lloyd-Jones

 
Muitos de nós simplesmente seguem uma rotina, sem pensar, sem inteligência. Soa estranho dizer isso num período como este na história da Igreja Cristã, mas na Igreja há muitos que não têm idéia da razão pela qual estão ali, exceto pelo fato de que foram habituados a freqüentar os cultos. Não fosse isso, não estariam ali. Nunca pensaram nessas coisas o bastante para romper o hábito; seguem uma rotina. Há pessoas que não pensam, pessoas sem entendimento, que não têm a mínima idéia do conflito espiritual, não têm a mínima idéia da crucial importância da Igreja Cristã numa hora como esta. Seguem o mesmo itinerário e fazem a mesmíssima coisa domingo após domingo, simplesmente como parte da rotina da vida. Entretanto lhes falta entendimento. E esse o tipo da coisa que o apóstolo tem em mente. Tais cristãos, é claro, já estão derrotados; são inúteis na batalha. Não têm valor nenhum no exército. Os cristãos ativos têm que carregá-los porque eles não conseguem mover-se; não estão prontos para alguma súbita mudança de tática. Eles são passageiros que temos que levar, e sempre são um grande empecilho para um exército. Eles têm sido um grande problema em toda a história das guerras.
Por outro lado, há também muitos que vivem em função das suas próprias atividades e que não têm ciência de que há um conflito espiritual. Para eles, o cristianismo é o que eles fazem. Isso faz parte do perigo de amoldar-se a um tipo. E triste ver pessoas que recentemente entraram na vida cristã dentro de um curto período de tempo repetindo frases e chavões. Não têm idéia do que significam; estão apenas imitando os outros; estão pegando o linguajar, as expressões e as atividades. E isso continua indefinidamente. Pode-se perceber que elas não estão vivamente conscientes da verdadeira situação.
Permitam-me admitir com sinceridade que estas exigências estritas se aplicam a todas as partes da Igreja, tanto aos pregadores como aos membros e freqüentadores. Não há nada que eu saiba que seja tão completamente oposto ao que o apóstolo está ensinando aqui como o pregador profissional, o homem que adota certo maneirismo e certo tom de voz, o chamado tom de voz clerical, e todas as outras características da"veste" sacral. O profissional no púlpito é uma grande maldição. Esse homem está realmente combatendo a favor do inimigo. É um traidor no exército do Deus vivo!
Tenhamos os nossos pés calçados com a preparação do evangelho da paz. Tratemos de saber o que estamos fazendo. O referido profissionalismo acha-se entre os liberais, e também entre os evangélicos. Alguns fingem, apresentando um artificial brilho e entusiasmo, uma espécie de "cristianismo muscular". Os que procedem assim estão se amoldando a um modelo. Não estão tendo entendimento, e revelam uma incapacidade de entender o profundo caráter da vida cristã. E há outros, às vezes jovens, que tentam parecer puritanos, como se vivessem há trezentos anos, e que falam na linguagem dos puritanos. Isso é igualmente mau. Vestir um casaco ou uma máscara ou agir por puro profissional ismo, é exatamente o oposto do que o apóstolo nos exorta a fazer.
Todas essas coisas são apenas manifestações daquele "estar em paz em Sião" enquanto uma tremenda batalha está sendo travada. Um cristianismo respeitável ou formal num tempo como este é inútil. É por isso que a Igreja está decaindo e exibindo nada mais do que um cristianismo respeitável, "Moralidade com um toque de emoção", como Matthew Arnold o descreveu, sem nenhum valor. Não me surpreende o fato de que o estado em que se acha a Igreja é o que é. Falta entendimento espiritual, ou, para usar a figura do apostolo, os pés estão pesadamente calçados com meras tradições e culto formal. Não há nada daquela mobilidade e agilidade que são essenciais numa época como esta.
A Igreja atual tem muita semelhança com Davi vestido com a armadura de Saul. Golias desafia Israel com sua armadura, sua lança e sua espada; e Israel se abala e treme, e não sabe o que fazer. Todos estão morrendo de medo deste homem que matou tantos. Então Davi, jovem, simples pastor, chega ao acampamento israelita, e, movido pelo Espírito de Deus, apresenta-se para responder ao desafio de Golias. Saul e os seus companheiros, sem os pés "calçados com a preparação do evangelho da paz", e pensando na velha terminologia em vez de pensarem espiritualmente, dizem: "Ele parece convencido de que poderá fazê-lo; vamos buscar a armadura de Saul e colocá-la nele". Acreditavam que a única maneira pela qual alguém poderia pelejar com Golias era com a armadura de Saul. Por isso a colocaram nele. Mas Davi percebeu logo que se fosse vestindo aquela armadura, seria morto. Mal podia mover-se, a armadura era pesada demais e grande demais para ele. E assim livrou-se dela. "Não vou conseguir lutar usando a armadura de Saul", disse ele; "tenho que usar o meu método de combate e, em nome do Deus vivo, é o que vou fazer." Pode-se dizer que Davi percebeu a importância de estar "calça¬do com a preparação do evangelho da paz". Ele queria ter mobilidade, e ser capaz de mover-se rapidamente e responder e reagir a cada movimento de Golias.
O que quero dizer é que os cristãos muitas vezes entram em dificuldade porque tentam lutar nesta batalha de um modo do qual não são capazes. Por exemplo, com freqüência encontro cristãos em dificuldade e dizendo: "Fiz um péssimo papel outro dia, numa discussão com algumas pessoas acerca de religião; realmente sinto que causei mais mal do que bem". "Bem", eu dizia, "que é que vocês estavam discutindo?" Eles me contavam que estavam discutindo o evolucionismo ou alguma outra questão de natureza científica. "Digam-me", dizia eu, "vocês receberam instrução e treinamento científicos?" "Ah, não", respondiam. "Muito bem", eu perguntava, "por que vocês entraram nesse tipo de discussão?" Não deviam fazer isso. Davi recusou-se a lutar usando a armadura de Saul. Se vocês não conhecem o assunto, não digam nada; ou digam: "Não sei". Guardem a batalha para aquilo que vocês conhecem. Insistam sempre em ter o controle sobre o lugar onde a batalha será travada. Não permitam que os seus amigos vistam vocês com a armadura de Saul. O dever de vocês é fazer aquilo de que são capazes. Tirem a sua funda e as suas pedras, e use essas coisas. Não tentem fazer algo que está além das suas forças.
Fonte: [Martyn Lloyd-Jones]

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nosso dever é crer

 
Por M. Lloyd-Jones
Nosso dever, o seu e o meu, não é despertar sentimentos; é crer. A Bíblia não nos diz, em lugar algum, que somos salvos por nossos emoções; ela diz que somos salvos pela fé. "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo". Nem uma vez as emoções são colocadas numa posi¬ção central. Ora, isto é algo que podemos fazer. Eu não posso forçar a mim mesmo a ser feliz, mas posso lembrar-me da minha fé. Posso exortar a mim mesmo a crer, posso falar com minha alma como o salmista fez no Salmo 42: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? espera. . ." Crê, confia. Esse é o caminho. E então nossas emoções cuidarão de si mesmas. Não se preocupem com elas. Falem consigo mesmos, e ainda que o diabo sugira que, se não sentem nada, então não são cristãos, digam; "Não, eu não sinto nada, mas quer sinta ou não, eu creio nas Escrituras. Creio que a Palavra de Deus é verdadeira, e vou firmar minha alma nela, e crer nela, aconteça o que acontecer". Ponham a fé em primeiro lugar, firmem-se nela. Sim, T. C. Philpot estava certo nesse ponto, o filho da luz às vezes se acha andando nas trevas, mas ele continua andando. Ele não se senta num canto, sentindo pena de si mesmo — esse é o ponto — o filho da luz andando nas trevas. Ele não consegue ver a face do Senhor neste ponto do caminho, mas sabe que Ele está ali; e por isso continua.
Melhor ainda, deixem-me colocá-lo assim. Se vocês querem ser realmente felizes e abençoados, se querem experimentar verda¬deira alegria como cristãos, aqui está a receita:' "Bem-aventurados (felizes) os que têm fome e sede de justiça" — não de felicidade. Não saiam em busca de emoções; busquem a justiça. Voltem-se para si mesmos, voltem-se para suas emoções, e digam: "Eu não tenho tempo para me preocupar com emoções, estou interessado em outra coisa. Quero ser feliz, mas mais do que isso, quero ser justo, quero ser santo. Quero ser como o meu Senhor, quero viver neste mundo como Ele viveu, quero andar aqui como Ele andou".
Vocês estão neste mundo, diz João era sua primeira epístola, assim como Ele esteve. Tenham como alvo a justiça," e a santidade, e certamente ao fazer isso serão abençoados, e terão a felicidade que desejam. Busquem a felicidade, e nunca a encontrarão; busquem a justiça, e descobrirão que são felizes — a felicidade estará lá, quase sem vocês saberem, sem mesmo buscarem por ela.
Finalmente, deixem-me colocá-lo desta maneira: "Vocês querem conhecer alegria suprema, querem experimentar uma felicidade que desafia descrição? Há somente uma coisa a fazer, buscar o Senhor Jesus Cristo, realmente, buscar a Ele somente, voltar-se apenas para Ele. Se se acharem com sentimentos de depressão, não fiquem num canto sentindo pena de si mesmos; não tentem forçar alguma emoção, mas — e esta é a simples essência da questão — vão diretamente a Ele, busquem Sua face, assim como a criança que se sente infeliz e miserável porque alguém quebrou seu brinquedo corre para seu pai ou sua mãe. Então, se se acharem nas garras deste problema, há somente uma coisa a fazer, e é irem a Ele. Se buscarem o Senhor Jesus Cristo e O encontrarem, não precisarão mais se preocupar com sua felicidade e alegria. Ele é nossa alegria e felicidade, assim como Ele é nossa paz. Ele é vida, Ele é tudo. Então fujam dos estímulos e das tentações de Satanás para dar essa importância central às emoções. Ponham no centro o Único que tem o direito de estar ali, o Senhor da glória, que tanto amou a vocês que foi à cruz e levou sobre Si o castigo e a vergonha dos seus pecados, e morreu por vocês. Busquem a Ele, busquem a Sua face, e todas as demais coisas lhes serão acrescentadas.
Fonte: [ Martyn Lloyd-Jones ]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Charles Haddon Spurgeon

Charles Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon (19 de junho de 1834 — 31 de janeiro de 1892), foi um pregador Batista Reformado, nascido em Kelvedon, Essex na Inglaterra.
Converteu-se ao cristianismo em janeiro de 1850, aos quinze anos de idade. Aos dezesseis, em 1851, pregou seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja batista em Waterbeach, Condado de Cambridgeshire (Inglaterra). Em 1854 Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para novo prédio.
Desde o início do ministério, seu talento para a exposição dos textos bíblicos foi considerado extraordinário. E sua excelência na pregação nas Escrituras Bíblicas lhe deram o título de O Príncipe dos Pregadores, em sua vida, Spurgeon pregou para cerca de 10.000.000 pessoas.
Histórico
A família de Spurgeon, escapando da perseguição contra os protestantes perpetrada por Carlos V e Filipe II, fugiu para a Inglaterra.
Após um período de dúvidas e angustias, aos 15 anos, aceitou Jesus como Salvador. Após a conversão, Spurgeon começou a distribuir folhetos nas ruas e a ensinar a Bíblia na escola dominical para crianças em Newmarkete Cambridge. Suas pregações eram tão eletrizantes e intensas que, dois anos depois de seu primeiro sermão, Spurgeon, então com 20 anos, foi convidado a assumir o púlpito da Igreja Batista de Park Street Chapel, em Londres, antes pastoreada pelo teólogo John Gill. O desafio, entretanto, era imenso.
Localizada em uma área metropolitana, Park Street Chapel havia sido uma das maiores igrejas da Inglaterra. No entanto, naquele momento, o edifício, com 1.200 lugares, contava com uma platéia de pouco mais de cem pessoas. O sermão inaugural de Spurgeon, naquela enorme igreja, ocorreu em 18 de dezembro de 1853. Havia ali um grupo de fiéis que nunca cessou de orar por um avivamento. No início, eu pregava somente a um punhado de ouvintes. Contudo, não me esqueço da insistência das suas orações. As vezes, parecia que eles rogavam até verem a presença de Jesus ali para abençoá-los. Assim desceu a bênção, a casa começou a se encher de ouvintes e foram salvas dezenas de almas, lembrou Spurgeon alguns anos depois. Nos anos que se seguiram, o templo, antes vazio, não suportava a audiência, que chegou a dez mil pessoas, somada a assistência de todos os cultos da semana. O número de pessoas era tão grande que as ruas próximas à igreja se tomaram intransitáveis. Logo, as instalações do templo ficaram inadequadas, e, por isso, foi construído o grande Tabernáculo Metropolitano, com capacidade para 12 mil ouvintes. Mesmo assim, de três em três meses, Spurgeon pedia às pessoas, que tivessem assistido aos cultos naquele período, que se ausentassem a fim de que outros pudessem estar no templo para conhecer a Palavra.
Muitas congregações, um seminário e um orfanato foram estabelecidos. Com o passar do tempo, Charles Spurgeon se tornou uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países como França, Escócia, Irlanda, País de Gales e Holanda. Spurgeon pregava não só em reuniões ao ar livre, mas também nos maiores edifícios de 8 a 12 vezes por semana.
Segundo uma de suas biografias, o maior auditório em que pregou continha, exatamente, 23.654 pessoas: este imenso público lotou o The Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouvi-lo pregar por mais de duas horas.
Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e teve dois filhos, os gêmeos não-idênticos Thomas e Charles. Fazíamos cultos domésticos sempre; quer hospedados em um rancho nas serras, quer em um suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença do Espírito Santo, que muitos crentes dizem ser impossível alcançar, era para nós a atmosfera natural. Vivíamos e respirávamos nEle, relatou, certa vez, Susannah.
A importância de Charles Haddon Spurgeon como pregador só encontra parâmetros em seus trabalhos impressos. Spurgeon escreveu 135 livros durante 27 anos (1865-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula. Seus vários comentários bíblicos ainda são muito lidos.
Até o último dia de pastorado, Spurgeon batizou 14.692 pessoas. Na ocasião em que ele morreu - 11 de fevereiro de 1892 -, seis mil pessoas leram diante de seu caixão o texto de sua conversão, Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra.
Alguns dos trabalhos escritos mais conhecidos de Charles Haddon Spurgeon:
  • All of Grace — editado em português sob o título Tudo pela Graça
  • Miracles and Parables of Our Lord — três volumes
  • Spurgeon’s Morning and Evening — livro de leituras devocionais diárias
  • The Sword and The Trowel — revista mensal editada por Spurgeon
  • The Treasury of David — comentário em vários volumes sobre os Salmos
  • Ver Universidade Spurgeon

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Onde Repousa sua Iniquidade?

Spurgeon
Quero fazer-lhes uma pergunta. O Senhor Jesus carregou seus pecados?
Vocês podem verdadeiramente afirmar, usando estas palavras: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho..."? Vocês sentem em seus corações que pecaram e desviaram-se do caminho?
Se vocês têm uma percepção pessoal do pecado dessa forma, então minha pergunta está respondida. O Senhor fez cair sua iniqüidade sobre Cristo. Deus fez cair sobre Cristo o pecado de todos aqueles que confessam seu pecado e confiam apenas em Cristo para a salvação.
Mas se vocês não confiarem em Cristo, não posso dizer-lhes que o Senhor arrancou seu pecado e o fez cair sobre Cristo. Se vocês morrerem nessa atitude de incredulidade, serão condenados no dia do juízo.
Deixem-me perguntar: vocês pretendem carregar sozinhos o seu pecado? Jesus sofreu muito quando carregou os pecados de Seu povo. O que vocês terão que sofrer se sozinhos suportarem a ira de Deus contra seu pecado? Vocês saberão então que "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Heb. 10:31).
Os homens se enraivecem quando lhes falamos sobre este ensinamento do castigo eterno. Devemos dizer-lhes que esse é o ensinamento da Palavra de Deus.
Sua pergunta deveria ser: "Como posso evitar o castigo?"
Pensem em como Cristo era perfeito. Como podem achar que algo de bom em vocês é capaz de fazer a expiação do pecado?
Pensem no que Cristo teve que suportar a fim de fazer a expiação do pecado.
Como vocês podem achar que algo que venham a fazer é capaz de efetuar a expiação de seu pecado? Se vocês não escolherem ser salvos pelo modo de Deus, não poderão absolutamente ser salvos.
Não há nenhum outro caminho de salvação. Deixem-me recomendar este caminho a vocês. Confiar em Cristo, sabendo que Ele tomou meus pecados e suportou a punição por eles em meu lugar, faz com que eu me sinta muito exultante.
Estou lhes falando a partir de minha própria experiência. Sei que estou salvo porque Cristo derramou Seu sangue por mim.
Estou pronto para morrer e me erguer corajosamente no dia da ressurreição, porque Cristo é minha justiça e Deus não me condenará. Rogo-lhes que venham a Cristo a fim de que possam sentir a mesma confiança.
Sairemos agora refletir sobre a verdade que estivemos considerando.
Vou propor quatro coisas para vocês pensarem a respeito:
(I) . A enorme montanha de pecado que caiu sobre Cristo. Vocês já sentiram o peso de seu próprio pecado? Cristo carregou todos os pecados de todo Seu povo ao longo de todas as épocas. O peso de nosso próprio pecado ter-nos-ia atirado ao inferno para sempre. O Filho de Deus suportou todo o peso do pecado de Seu povo. Reflitam sobre esta idéia. Deixem-na entrar em seus corações.
(II). Em seguida, vou pedir-lhes para pensar sobre o maravilhoso amor de Cristo que O levou a fazer tudo isso. "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rom. 5:8). Não tínhamos nenhuma bondade ou graça própria que faria com que Cristo quisesse nos amar. A natureza santa de Cristo tenderia a se afastar de pecadores tão perversos como nós. Seu amor é quase maravilhoso demais para que se possa falar dele.
Peço-lhes que pensem a respeito da profundidade do amor que Cristo tem pelo Seu povo. Acaso não está além de nossa compreensão o fato de que Deus fizesse cair sobre Cristo a iniqüidade de todos nós, e Cristo nos tivesse amado tanto que desejou vir à terra para carregar nosso pecado?
(III). Pensem a respeito da segurança estabelecida pelo plano de salvação. Sei que Deus é justo e que Ele deve castigar o pecado. Jesus morreu por mim e, desde que Deus é justo, agora Ele não pode castigar-me também. Misericórdia, amor, verdade, justiça; agora estes são todos meus amigos! Visto que Jesus morreu por mim, eu não posso morrer. Ouçam as palavras do apóstolo Paulo: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós" (Rom. 8:33-34). Descanso minha alma sobre essa sólida rocha. Não preciso temer. Jesus morreu por mim! (iv). A última pergunta que quero fazer-lhes é: "Quais são as reivindicações de Jesus Cristo sobre vocês e sobre mim?" Porventura nosso Senhor Jesus tomou seus pecados e sofreu aquela morte por vocês? Se vocês sabem que isto é verdade, peço-lhes que
O tratem como Ele deve ser tratado. Amem-nO como Ele deve ser amado. Sirvam-nO como Ele deve ser servido. Vocês realmente guardam Seus mandamentos? Mes¬mo a obediência não é suficiente. Vocês realmente O amam? Vocês levam suas vidas como se O amassem ternamente? Ele merece tudo o que vocês podem dar. Cristo existe por nós. Devemos existir por Ele. Devemos amá-lO, sofrer por Ele e trabalhar por Ele, pedindo-Lhe que nos ajude a fazer isso. Antes de crermos em Jesus, nós, cada um de nós seguia seu próprio caminho. Vamos agora, cada um de nós, servi-lO. Devemos falar aos outros sobre Ele. Devemos pedir-Lhe que nos dê obras para fazer por Ele. Devemos dar-Lhe nosso dinheiro, tanto quanto pudermos, para a obra da igreja. Devemos a Ele tudo o que temos. Ninguém mais do que Ele merece nossa devoção.
Assim, todos dentre vocês que conhecem a graça de Deus devem se dispor a viver, morrer, consumir-se e ser consumidos pelo Senhor Jesus Cristo. Nada vale mais a pena do que viver e morrer por Cristo. Vocês Lhe devem sua libertação do inferno e sua esperança do céu. Sigam-nO, amem-nO até o fim de suas vidas. Assim, vocês estarão com Ele no céu e verão face a face este Senhor Jesus Cristo a quem têm amado e servido.
FONTE: Charles Haddon Spurgeon.com

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

0 Levando o Seu Vitupério (Sermão) - João Calvino

“Saiamos, pois, a ele [Jesus] fora do arraial, levando o seu vitupério." (Hb 13-13)
TODAS as exortações que nos são dadas para padecermos pacientemente pelo nome de Jesus Cristo e em defesa do Evangelho não terão efeito, se não nos sentirmos seguros da causa pela qual lutamos.Quando somos chamados a nos desfazer da vida, é absolutamente necessário saber em que base. Não podemos possuir a firmeza necessária, a menos que esteja fundamentada na certeza da fé. É verdade que há pessoas que se expõem tolamente à morte, na defesa de algumas opiniões absurdas e devaneios concebidos pelo próprio cérebro, mas tal impetuosidade deve ser considerada mais como frenesi do que zelo cristão; e, de fato, não há firmeza nem bom senso naqueles que, em certo tipo de casualidade, se empolgam dessa maneira. Mas embora isso ocorra, é somente numa boa causa que Deus nos reconhece como seus mártires. A morte é comum a todos, e os filhos de Deus são condenados à ignomínia c torturas exatamente como os criminosos o são; mas Deus faz a distinção entre eles, já que Ele não pode negar sua verdade. De nossa parte, exige-se que tenhamos provas firmes e infalíveis da doutrina que defendemos; e, por conseguinte, como eu disse, não podemos ser racionalmente impressionados pela exortação que recebemos para sofrer perseguição pelo Evangelho, se nenhuma certeza verdadeira de fé foi impressa em nosso coração.
Arriscar a vida numa incerteza não é natural, e ainda que o fizéssemos, seria só precipitação e não coragem cristã. Numa palavra, nada que fazemos será aprovado por Deus, se não estivermos completamente persuadidos de que é para Ele e sua causa que sofremos perseguição e o mundo é nosso inimigo. Quando falo de tal persuasão, não quero dizer meramente que temos de saber distinguir entre a verdadeira religião e os abusos ou loucuras dos homens, mas também que devemos estar inteiramente persuadidos da vida divina e da coroa, que nos é prometida nos céus, depois que tivermos lutado aqui na terra. Entendamos que estes requisitos são necessários e não podem ser separados um do outro.
For conseguinte, os pontos com os quais devemos começar são estes: Temos de saber bem qual é o nosso cristianismo, qual é a fé que temos de defender e seguir — qual é a regra que Deus nos deu; e, assim, temos de estar bem inteirados de tal instrução para que sejamos capazes de condenar com ousadia todas as falsidades, erros e superstições que Satanás introduziu para corromper a pura simplicidade da doutrina de Deus.
Veremos agora o verdadeiro método de nos preparar para sofrer pelo Evangelho. Primeiramente, devemos estar nos beneficiando até aqui na escola de Deus quanto a estarmos decididos com relação à verdadeira religião e à doutrina que vamos defender. Temos de menosprezar todos os artifícios e imposturas de Satanás e todas as invenções humanas como coisas frívolas e carnais, já que corrompem a pureza cristã; nesse particular diferindo, como verdadeiros mártires de Cristo, das pessoas irracionais que sofrem por meras absurdidades.
Em segundo lugar, assegurando-nos da boa causa, conseqüentemente, temos de ser inflamados para seguir a Deus aonde quer formos por Ele chamados. Sua Palavra tem de ter tal autoridade para conosco como ela merece, e, havendo-nos retirado deste mundo, temos de nos sentir arrebatados na busca da vida santificada.
Porém, é mais que estranho que, embora a luz de Deus esteja brilhando mais radiantemente que nunca, haja uma lamentável' falta de zelo. Em resumo, é impossível negar que é para nossa grande vergonha, para não dizer temível condenação, que conhecemos tão bem a verdade de Deus e temos tão pouca coragem em defendê-la.
Acima de tudo, quando olhamos para os mártires do passado, nos envergonhamos de nossa covardia! Em sua maioria não eram pessoas muito versadas nas Santas Escrituras para poderem disputar cm todos os assuntos. Eles sabiam que havia um Deus, a quem convinham adorar e servir; que haviam sido remidos pelo sangue de Jesus Cristo a fim de colocarem a confiança de salvação nEle e em sua graça; e que todas as invenções dos homens, sendo mera inutilidade e lixo, eles deviam condenar todas as idolatrias e superstições. Numa palavra, sua teologia era, em substância, esta: Há um Deus que criou todo o mundo e nos declarou sua vontade por Moisés e pelos profetas, e, finalmente, por Jesus Cristo e seus apóstolos; e temos um Redentor exclusivo, que nos comprou por seu sangue e por cuja graça esperamos ser salvos. Todos os ídolos do mundo são amaldiçoados e merecem abominação.
Com um sistema abarcando nenhum outro ponto que não esses, eles foram corajosamente às chamas ou a qualquer outro tipo de morte. Não entravam de dois em dois ou de três em três, mas em tamanhos grupos, cujo número dos que caíram pelas mãos dos tiranos é quase infinito.
O que então deve ser feito para inspirar nosso peito com a verdadeira coragem? Temos, em primeiro lugar, de considerar quão preciosa é a confissão de nossa fé aos olhos de Deus. Pouco sabemos o quanto Deus preza isso, se nossa vida, que não é nada, é estimada mais altamente por nós. Quando isso se dá, manifestamos maravilhoso grau de estupidez. Não podemos salvar nossa vida à custa de nossa confissão sem reconhecermos que a mantemos em mais alta estima que a honra de Deus e a salvação de nossa alma.
Um pagão poderia dizer: "Foi coisa miserável salvar a vida deixando as únicas coisas que tornavam a vida desejável!" E, não obstante, tal indivíduo e outros como ele nunca souberam por que propósito os homens são colocados no mundo, e por que vivem aqui. Sabemos muito bem qual deve ser a principal meta de vida, isto é, glorificar a Deus, para que Ele seja nossa glória. Quando isso não é feito, ai de nós! Não podemos continuar vivendo por um único momento na terra sem amontoarmos outras maldições sobre nossas cabeças. Contudo, não estamos envergonhados deobter alguns dias para nos enlanguescer aqui embaixo, renunciando o Reino eterno ao nos separarmos dEle, por cuja energia somos sustentados em vida.
Mas como a perseguição sempre é severa e amarga, consideremos: Como e por quais meios os cristãos podem se fortalecer com paciência, para resolutamente exporem a vida pela verdade de Deus. O texto que lemos em voz alta, quando corretamente compreendido, é suficiente para nos induzir a agirmos assim. O apóstolo diz: ''Saiamos da cidade para o Senhor Jesus, levando seu vitupério".
Em primeiro lugar, Ele nos lembra que, embora as espadas não sejam desembainhadas contra nós, nem o fogo aceso para nos queimar, não podemos ser verdadeiramente unidos ao Filho de Deus, enquanto estamos arraigados neste mundo. Portanto, um cristão, mesmo em repouso, sempre tem de ter um pé pronto a marchar para a batalha, e não só isso, mas tem de ter seus afetos retirados do mundo, ainda que o corpo esteja habitando aqui.
Enquanto isso, para consolar nossas enfermidades e mitigar a vexação e tristeza que a perseguição nos causa, é-nos oferecida uma boa recompensa. Sofrendo pela causa de Deus, estamos caminhando passo a passo após o Filho de Deus e o temos por nosso Guia. Fosse dito simplesmente que para sermos cristãos tivéssemos de corajosamente passar por todos os insultos do mundo, encontrar a morte em todo momento e da maneira que Deus se agradasse designar, teríamos aparentemente algum pretexto para replicar.
É um caminho desconhecido para irmos na dúvida. Mas quando somos ordenados a seguir o Senhor Jesus, sua direção é muito boa e honrada para ser recusada.Somos tão melindrosos quanto à disposição de suportar qualquer coisa? Então temos de renunciar a graça de Deus pela qual Ele nos chamou à esperança de salvação. Há duas coisas que não podem ser separadas — ser membro de Cristo e ser provado por muitas aflições.
Quem dera fosse realmente fácil, mesmo para Deus, nos coroar imediatamente sem exigir que sustentássemos qualquer combate. Mas assim como é seu prazer que Cristo reine em meio aos seus inimigos, assim também é sua vontade que nós, sendo colocados no meio deles, soframos a opressão e violência que nos infligem até que "Ele nos liberte. Sei, de fato, que a carne esperneia quando deve ser levada a este ponto, mas não obstante a vontade de Deus tem de sobrepor-se.
Em tempos passados, muitas pessoas, para obter simples coroas de folhas, não recusavam o trabalho duro, a dor e a dificuldade. Até mesmo a morte não lhes era grande preço, e, ainda assim, cada um deles disputava uma corrida, não sabendo se iria ganhar ou perder o prêmio. Deus nos oferece a coroa imortal pela qual nos tornarmos participantes da sua glória. Ele não quer dizer que devemos lutar a esmo, mas todos temos a promessa do prêmio pelo qual nos empenhamos. Temos algum motivo para nos recusarmos a lutar? Achamos que foi dito em vão: "Se morremos com Jesus, também com ele viveremos"? Nosso triunfo está preparado, e contudo fazemos tudo o que podemos para evitar o combate. Para não deixar meios sem serem empregados que sejam adequados para nos estimular, Deus coloca diante de nós Promessas, de um lado, e Ameaças, do outro. Sentindo que as promessas não têm influência suficiente, fortaleçamo-nos acrescentando as ameaças. É verdade que devemos ser obstinados no extremo de não pôr mais fé nas promessas de Deus, quando o Senhor Jesus diz que Ele nos confessará como seus diante de seu Pai, contanto que o confessemos diante dos homens.
Mas se Deus não pode nos alcançar por meios gentis, não devemos ser meros obstáculos se suas ameaças também falham? Jesus convoca todos aqueles que, por medo da morte temporal, negam a verdade, a comparecerem no tribunal de seu Pai, e diz que então o corpo e a alma serão entregues à perdição. Em outra passagem, Ele afirma que negará todos o que o tiverem negado diante dos homens. Estas palavras, se não somos completamente impérvios para sentir, bem que podem fazer nossos cabelos se levantarem enfim! É em vão alegarmos que piedade deve nos ser mostrada, já que nossas naturezas são tão delicadas; pois é dito, pelo contrário, que Moisés, tendo buscado a Deus pela fé, foi fortalecido para não se entregar sob tentação. Portanto, quando somos flexíveis e fáceis de dobrar, é sinal manifesto. Não estou dizendo que não temos zelo, nem firmeza, mas que não sabemos nada de Deus ou de seu Reino.
Há dois pontos a considerar. O primeiro é que todo o Corpo da Igreja em geral sempre esteve, e até ao fim estará, sujeito a ser afligido pelos ímpios. Vendo como a Igreja de Deus é pisoteada nos dias atuais pelos orgulhosos indivíduos mundanos, como um late e outro morde, como torturam, como conspiram contra ela. como ela é assaltada incessantemente por cães raivosos e bestas selvagens, não nos esqueçamos de que a mesma coisa foi feita em todos os tempos passados.
Enquanto isso, o assunto de suas aflições sempre foi afortunado. Em todos os eventos, Deus fez com que, embora fosse oprimida por muitas calamidades, ela nunca tenha sido completamente esmagada; como está escrito: "Os ímpios com todos os seus esforços não tiveram sucesso no que intentaram". O apóstolo Paulo se gloria no fato e mostra que este é o curso que Deus, em misericórdia, sempre toma. Ele diz: "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos" (2 Co 4.8-10).
Só menciono brevemente neste sermão para ir ao segundo ponto, que está mais a nosso propósito, que devemos tirar vantagem dos exemplos particulares dos mártires que foram antes de nós. Não são limitados a dois ou três, mas são, como diz o apóstolo, "uma tão grande nuvem". Com esta expressão, ele intima que o número é tão grande que deve ocupar toda nossa visão. Para não ser tedioso, mencionarei somente os judeus, que foram perseguidos pela verdadeira religião, não apenas sob a tirania do rei Antioco, mas também um pouco depois da sua morte. Não podemos alegar que o número dos sofredores foi pequeno, pois formava um grande exército de mártires. Não podemos dizer que consistia em profetas a quem Deus tinha separado das pessoas comuns, pois mulheres e criancinhas faziam parte do grupo. Não podemos dizer que eles escaparam por pouca coisa, porque foram torturados tão cruelmente quanto possível.
Por conseguinte, ouvimos o que o apóstolo diz: "Uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra (Hb 11.35-38).
Comparemos agora o caso deles com o nosso. Se eles suportaram tais coisas pela verdade, que naquela época era tão obscura, o que devemos fazer com a luz que agora brilha? Deus nos fala claramente; a grande porta do Reino dos céus foi aberta, c Jesus Cristo nos chama para si mesmo, depois de ter descido até nós para que pudéssemos tê-lo presente diante dos olhos.
Que repreensão nos seria suficiente para termos menos zelo para sofrer pelo Evangelho do que eles, que só tinham saudado as promessas de longe, que só tinham um pequeno postigo aberto para entrar no Reino de Deus e que só tinham um memorial e símbolo de Jesus Cristo? Estas coisas não podem ser expressas em palavras como merecem, e, então, deixo cada um a ponderar sobre elas consigo mesmo.
Em primeiro lugar, onde quer que esteja, o cristão tem de resolver, apesar dos perigos ou ameaças, andar em simplicidade como Deus ordenou. Que ele se guarde tanto quanto possa contra a voracidade dos lobos, mas que não seja com astúcia carnal. Acima de tudo, que ele coloque a vida nas mãos de Deus. Ele fez assim? Então, se acaso vier a cair nas mãos do inimigo, que ele saiba que Deus, tendo arranjado as coisas deste modo, se agrada de tê-lo como testemunha de seu Filho. Portanto, ele não tem meios de recuar sem quebrar a fé em Deus, a quem prometemos todo o dever na vida e na morte; Ele de quem somos e a quem pertencemos, ainda que não tenhamos feito nenhuma promessa.
Que seja mantido como ponto fixo entre todos os cristãos, que eles não devem considerar a vida mais preciosa do que o testemunho da verdade, já que Deus deseja ser glorificado assim. É em vão que Ele dá o nome de testemunhas (pois este é o significado da palavra mártir) a todos os que têm de responder perante os inimigos da fé? Aqui cada um não deve olhar para seu companheiro, pois Deus não honra a todos igualmente com a chamada. E como somos inclinados a olhar, devemos estar muito mais em guarda contra isso. Pedro, tendo ouvido dos lábios de Jesus que na velhice seria levado para onde não quereria ir. perguntou o que aconteceria com seu companheiro João. Não há nenhum de nós que não teria prontamente feito a mesma pergunta, pois o pensamento que imediatamente nos vem é: Por que sofro em lugar dos outros? Pelo contrário. Jesus Cristo nos exorta — não só a todos em geral, mas a cada um em particular — a nos mantermos "'prontos", a fim de que conforme Ele for chamando este ou aquele, marchemos avante por nossa vez.
Expliquei acima quão pouco preparados estaremos para sofrer martírio, se não estivermos armados com as promessas divinas. Agora resta mostrar um pouco mais completamente quais são o propósito e o alvo destas promessas — não para especificar todos em detalhes, mas para mostrar o que Deus deseja que esperemos dEle a fim de que nos consolemos em nossas aflições. Considerando-se sumariamente, podemos citar três coisas.
A primeira, é que já que nossa vida e morte estão em suas mãos, Ele nos preservará por seu poder, de modo que nem um fio de cabelo será arrancado de nossa cabeça sem a sua permissão. Portanto, os crentes devem se sentir seguros em quaisquer mãos que venham a cair, pois Deus não está despojado da tutela que Ele exerce sobre seu povo. Estivesse tal persuasão bem impressa em nosso coração, ficaríamos livres da maior parte das dúvidas e perplexidades que nos atormentam e nos obstruem em nossos deveres.
Vemos tiranos livres; a esse respeito, parece-nos que Deus já não possui meio de nos salvar, e somos tentados a cuidar de nossos próprios interesses, como se nada mais se esperasse dEle. Pelo contrário, sua providência, à medida que Ele a revela, deve ser considerada por nós como fortaleza inconquistável. Trabalhemos, então, para nos conscientizarmos da plena importância da expressão que nosso corpo está em suas mãos, que o criaram. Por isso. às vezes Ele libertou seu povo de maneira milagrosa e além de toda expectativa humana, como se deu a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha ardente; a Daniel, na cova dos leões; a Pedro, na prisão de Herodes, onde estava preso, acorrentado e rigorosamente guardado. Por estes exemplos, Ele quis testificar que Ele mantém nossos inimigos sob controle, embora possa não parecer, e que, quando quer, tem o poder de nos tirar dos grilhões da morte. Não que Ele sempre o faça, mas reservando a autoridade para si de dispor de nós para a vida e para a morte, Ele quer que nos sintamos completamente seguros de que Ele nos tem sob seu cuidado. Qualquer tirano que nos tente e com qualquer fúria que se arroje contra nós. pertence a Ele somente ordenar nossa vida.
Se Ele permite que tiranos nos matem, não é porque nossa vida não lhe é querida, é em maior honra cem vezes mais do que merece. Sendo esse o caso, tendo declarado pela boca de Davi que a morte dos santos é preciosa aos seus olhos, Ele também diz pela boca de Isaías que a terra descobrirá o sangue que parece estar oculto. Que os inimigos do Evangelho, então, sejam tão pródigos quanto serão do sangue dos mártires, pois terão de prestar contas dele ate a última gota. Nos dias atuais, eles se viciam em derrisão orgulhosa, enquanto entregam os crentes às chamas; e depois de terem se banhado no sangue deles, ficam tão intoxicados desse sangue que consideram todos os assassinatos que cometem como mero esporte festivo. Mas se temos paciência para esperar, por fim Deus mostrará que não é em vão que Ele estimou nossa vida em tão alto valor. Nesse entretempo, não nos ofendamos por parecer confirmar o Evangelho, que em valor ultrapassa o céu e a terra.
Para ficarmos mais seguros de que Deus não nos abandona nas mãos dos tiranos, lembremo-nos da declaração de Jesus Cristo, quando disse que Ele mesmo é perseguido nos seus membros. Deus de fato tinha dito antes por Zacarias: "Aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho" (Zc 2.8). Mas aqui é dito com muito mais expressividade que. se sofrermos pelo Evangelho, é tanto quanto se o Filho de Deus estivesse sofrendo pessoalmente. Que saibamos que Jesus Cristo tem de se esquecer de si mesmo antes de deixar de pensar em nós, quando estamos em prisão ou em perigo de morte por sua causa. Que saibamos que Deus tomará no coração todas as afrontas que os tiranos cometem contra nós, da mesma maneira como se tivessem cometido contra o próprio Filho.
Vamos agora ao segundo ponto que Deus nos declara em sua promessa para nossa consolação. É que Ele nos sustentará assim pelo poder do seu Espírito para que nossos inimigos, façam o que fizerem, mesmo com Satanás à cabeça, não obtenham vantagem sobre nós. E vemos como Ele mostra seus dons em tal emergência; pois a constância invencível que encontramos nos mártires mostra abundante e formosamente que Deus trabalha poderosamente neles.
Na perseguição. Há duas coisas revoltantes para a carne: a vituperação e insulto dos homens e as torturas que o corpo sofre. Deus promete nos oferecer sua mão tão efetivamente, que superaremos ambas pela paciência. O que Ele nos diz,  ele confirma por fato. Tomemos este escudo para nos precaver de todos os medos pelos quais somos assaltados, e não restrinjamos a operação do Espírito Santo dentro de tais limites estreitos, como a supor que Ele não sobrepujará facilmente todas as crueldades dos homens. Disto tivemos, entre outros exemplos, um que é particularmente memorável. Um jovem que certa vez viveu aqui conosco, tendo sido preso na cidade de Tournay, seria condenado à guilhotina, desde que se retratasse, e se continuasse firme em seu propósito, seria queimado vivo! Quando perguntado o que pretendia fazer, simplesmente respondeu: "Aquele que me dará graça para morrer pacientemente por seu nome, sem dúvida me dará graça para suportar o fogo!"
Devemos tomar esta expressão, não como a de um homem mortal, mas como do Espírito Santo, para nos assegurarmos que Deus não é menos poderoso para nos fortalecer e nos tornar vitoriosos sobre as torturas, do que nos fazer submeter de boa vontade a uma morte mais suave. Além disso, vemos muitas vezes que firmeza Ele dá a malfeitores infelizes que sofrem por seus crimes. Não falo dos endurecidos, mas dos que obtêm consolação da graça de Jesus Cristo, e, por esse meio, com corações tranqüilos, sofrem os castigos mais cruéis que podem ser infligidos. Um belo exemplo é visto no ladrão que foi convertido à morte de nosso Senhor. Será que Deus, que assim ajuda poderosamente pobres criminosos quando suportam o castigo de suas más ações, estará tão ausente do seu povo, enquanto lutam pela causa santa, quanto a não lhes dar coragem invencível?
O terceiro ponto a considerar acerca das promessas de Deus aos seus mártires é o fruto que eles devem esperar por seus sofrimentos, e no fim, se for necessário, por suas mortes. Este fruto se manifestará depois de terem glorificado o seu nome, depois de terem edificado a Igreja pela constância, quando serão reunidos com o Senhor Jesus na sua glória eterna. Mas como falamos acima brevemente, é bastante aqui apenas lembrar. Que os crentes aprendam a erguer a cabeça para as coroas de glória e imortalidade para as quais Deus os convida, a fim de que assim eles não se sintam relutantes em deixar a vida presente por tal recompensa.
Para que se sintam bem seguros desta bênção inestimável, que sempre tenham diante dos olhos a conformidade que eles têm a nosso Senhor Jesus Cristo. E exatamente como Ele que, pela repreensão da cruz, chegou à ressurreição gloriosa, vejam que a morte consiste em toda a nossa felicidade, alegria e triunfo!
Author: O CALVINISTA

domingo, 5 de setembro de 2010

O que aconteceu com os Evangélicos?

Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Quando Paulo Romeiro escreveu Evangélicos em Crise em meados da década de 90, ele apenas tocou em uma das muitas áreas em que o evangelicalismo havia entrado em colapso no Brasil: a sua incapacidade de deter a proliferação de teologias oriundas de uma visão pragmática e mercantilista de igreja, no caso, a teologia da prosperidade.
Fica cada vez mais claro que os evangélicos estão atualmente numa crise muito maior, a começar pela dificuldade – para não falar da impossibilidade – de ao menos se definir hoje o que é ser evangélico.
Até pouco tempo, “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de entre todas as denominações – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros, que consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível, que eram conservadores no culto e nos padrões morais, e que tinham visão missionária.
Hoje, no Brasil, o termo não tem mais essa conotação. Ele tem sido usado para se referir a todos os que estão dentro do cristianismo em geral e que não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos, etc.
É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: a falta de rumos teológicos definidos, a multiplicidade de teologias divergentes, a falta de uma liderança com autoridade moral e espiritual, a derrocada doutrinária e moral de líderes que um dia foram reconhecidos como referência, o surgimentos de líderes totalitários que se auto-denominam pastores, bispos e apóstolos.
A conquista gradual das escolas de teologia pelo liberalismo teológico, a falta de padrões morais pelos quais ao menos exercer a disciplina eclesiástica, a depreciação da doutrina, a mercantilização de várias editoras evangélicas que passaram a publicar livros de linha não evangélica, e o surgimento das chamadas igrejas emergentes. A lista é muito maior e falta espaço nesse post.
Recentemente um amigo meu, respeitado professor de teologia, me disse que o evangelicalismo brasileiro está na UTI. Concordo com ele. A crise, contudo, tem suas raízes na própria natureza do evangelicalismo, desde o seu nascedouro.
Há opiniões divergentes sobre quando o moderno evangelicalismo nasceu. Aqui, adoto a opinião de que ele nasceu, como movimento, nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos. Era uma ala dentro do movimento fundamentalista que desejava preservar os pontos básicos da fé (veja meu post sobre
Fundamentalismo), mas que não compartilhava do espírito separatista e exclusivista da primeira geração de fundamentalistas.
A princípio chamado de “neo-fundamentalismo”, o evangelicalismo entendia que deveria procurar uma interação maior com questões sociais e, acima de tudo, obter respeitabilidade acadêmica mediante o diálogo com a ciência e com outras linhas dentro da cristandade, sem abrir mão dos “fundamentos”.
Eles queriam se livrar da pecha de intransigentes, fechados, bitolados e obscurantistas, ao mesmo tempo em que mantinham doutrinas como a inerrância das Escrituras, a crença em milagres, a morte vicária de Cristo, sua divindade e sua ressurreição de entre os mortos. Eram, por assim dizer, fundamentalistas esclarecidos, que queriam ser reconhecidos academicamente, acima de tudo.
O que aconteceu para o evangelicalismo chegasse ao ponto crítico em que se encontra hoje? Tenho algumas idéias que coloco em seguida.
1. O diálogo com católicos, liberais, pentecostais e outras linhas sem que os pressupostos doutrinários tivessem sido traçados com clareza. Acredito que podemos dialogar e aprender com quem não é reformado. Contudo, o diálogo deve ser buscado dentro de pressupostos claros e com fronteiras claras.
Hoje, os evangélicos têm dificuldades em delinear as fronteiras do verdadeiro cristianismo e de manter as portas fechadas para heresias.
2. A adoção do não-exclusivismo como princípio. Ao fazer isso, os evangélicos começaram a abrir a porta para a pluralidade doutrinária, a multiplicidade de eclesiologias e o relativismo moral, sem que tivessem qualquer instrumento poderoso o suficiente para ao menos identificar o que estivesse em desacordo com os pontos cruciais.
3. O abandono gradual da aderência a esses pontos cruciais com o objetivo de alargar a base de comunhão com outras linhas dentro da cristandade. Com a redução cada vez maior do que era básico, ficou cada vez mais ampla a definição de evangélico, a ponto de perder em grande parte seu significado original.
4. O abandono da confessionalidade, dos grandes credos e confissões do passado, que moldaram a fé histórica da Igreja com sua interpretação das Escrituras. Não basta dizer que a Bíblia não tem erros. Arminianos, pelagianos, socinianos, unitários, eteroteólogos, neopentecostais – todos afirmarão isso.
O problema está na interpretação que fazem dessa Bíblia inerrante. Ao jogar fora séculos de tradição interpretativa e teológica, os evangélicos ficaram vulneráveis a toda nova interpretação, como a teologia relacional, a teologia da prosperidade, a nova perspectiva sobre Paulo, etc.
5. A mudança de uma orientação teológica mais agostiniana e reformada para uma orientação mais arminiana. Isso possibilitou a entrada no meio evangélico de teologias como a teologia relacional, que é filhote do arminianismo. Permitiu também a invasão da espiritualidade mística centrada na experiência, fruto do reavivalismo pelagiano de Charles Finney. (Nota do CACP*: Aqui o autor critica a exacerbação do arminianismo... entendemos que tanto o radicalismo arminiano como o calvinista é contraproducente)
Essa mudança também trouxe a depreciação da doutrina em favor do pragmatismo, e também o antropocentrismo no culto, na igreja e na missão, tudo isso produto da visão arminiana da centralidade do homem.
Mas talvez o pior de tudo foi a perda da cosmovisão reformada, que serviria de base para uma visão abrangente da cultura, ciência e sociedade, a partir da soberania de Deus sobre todas as áreas da vida.
Sem isso, o evangelicalismo mais e mais tem se inclinado a ações isoladas e fragmentadas na área social e política, às vezes sem conexão com a visão cristã de mundo.
6. Por fim, a busca de respeitabilidade acadêmica, não somente da parte dos demais cristãos, mas especialmente da parte da academia secular. Essa busca, que por vezes tem esquecido que o opróbrio da cruz é mais aceitável diante de Deus do que o louvor humano, acabou fazendo com que o evangelicalismo, em muitos lugares, submetesse suas instituições teológicas aos padrões educacionais do Estado e das universidades.
Padrões esses comprometidos metodológica, filosófica e pedagogicamente com a visão humanística e secularizada do mundo, em que as Escrituras e o cristianismo são estudados de uma perspectiva não cristã. Abriu-se a porta para o velho liberalismo.
Não há saída fácil para essa crise. Contudo, vejo a fé reformada como uma alternativa possível e viável para a igreja evangélica brasileira, desde que se mantenha fiel às grandes doutrinas da graça e aos lemas da Reforma, e que faça certo aquilo que os evangélicos não foram capazes de fazer:
(1) dialogar e interagir com a diversidade delineando com clareza as fronteiras do cristianismo;
(2) abandonar o inclusivismo generalizado e adotar um exclusivismo inteligente e sensível;
(3) voltar a valorizar a doutrina, especialmente os pontos fundamentais da fé cristã expressos nos credos e confissões, que moldaram os inícios do movimento evangélico.
Talvez assim possamos delinear com mais clareza os contornos da face evangélica em nosso país.
SOLI DEO GLÓRIA
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Augustus Nicodemus Lopes é pastor presbiteriano. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). É chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro.
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Fonte: Publicado no CACP e Ministério Força para Viver
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